terça-feira, 23 de junho de 2009

Conto erótico 1

Eu sabia que ela tinha acabado de transar. Podia ver pela ponta molhada de seus cabelos deslizando pela atrevida nuca. Sabia pelos movimentos de seu quadril, pelos seios duros que se insinuavam pela blusa apertada sob o avental. Os mamilos indecentes relutavam em descansar e estampavam seu relevo sob o amontoado de panos. Eu a observava mover-se pelo salão do café com um ar desaforado e os lábios intumescidos ainda entreabertos. Pedi o cardápio. Ela o trouxe sem me ver. Folhei sem atenção suas páginas engorduradas e com os olhos teimosamente pousados sobre suas ancas. Sabia exatamente o que pediria, nem precisava do cardápio. Um café, que também trouxe sem me ver. Foi uma sequência sem sentido de pedidos, que fazia somente para vê-la andar do balcão até minha mesa, desviando sinuosamente das demais. Um pão de queijo, uma torta doce cujos ingredientes não pude distinguir, outro pão de queijo, uma porção de algo, de passos voluptuosos, outro café, ela nem sequer estranhava que a outra xícara estivesse ainda quase cheia. Não me notava, suspirava, respirava, apontava-me impunemente seus indecentes mamilos e não estava lá. Eu sabia que tinha acabado de transar, atrever-me-ia a dizer que tinha gostado. Sua indiferença me irritava profundamente, eu já conhecia cada detalhe de seu corpo, o imaginava nu, lambera com meus olhos cada um de seus poros. Provavelmente tinha um pequeno e nojento piercing em seu umbigo que com meus dentes queria arrancar até ver brotar a gota de sangue indolente. Mas ela nem me via, trazia-me os pedidos como uma submissa gueixa, mas não me via. Piranha. Sua indiferença me enervava e excitava. Dava-me vontade de estrangulá-la, segurar-lhe com minhas mãos o fino pescoço que desfilava com pequenas gotículas de suor ou do cabelo ainda úmido; apertá-lo até que o ar retornasse da goela resignado por não poder cumprir sua nobre função, até que sua língua estendida arroxeasse, seus olhos revirassem e seu corpo perdesse de vez aquela insuportável arrogância. Seu corpo imóvel jazendo a minha frente com o estúpido avental, gueixa indolente. Retiraria cada peça de sua roupa, sua calcinha promíscua, e a seviciaria. Seus músculos exauridos ainda conservariam uma lembrança erótica do que era um toque masculino e responderiam com pequenas contrações que fariam duvidar daquele corpo exânime. Mentirosa! Vives... Faz-me gozar, mentirosa! Traz-me a conta, por favor. Trouxe. Eu sabia que ela acabara de transar, atrever-me-ia a dizer que tinha gostado. Paguei e deixei-lhe uma gorda gorjeta.

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